Prefeitura investe mais de R$ 5,3 milhões no Empreender-JP

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A Prefeitura de João Pessoa investiu, ao longo de 2010, R$ 5.346.739,44 no Programa Municipal de Apoio aos Pequenos Negócios de João Pessoa (Empreender-JP) por meio de 2 mil contratos de empréstimo. A maioria dos beneficiários é do setor do comércio. Eles representam 54,8% do total de investimentos com recursos próprios nos cinco anos e meio do programa. Já o setor de serviços corresponde a 29,9%; o produtivo (indústria e artesanato), a 11,7%, e o agrícola, a 3,6%.

Desde julho de 2005, quando foi criado o programa, o Empreender já liberou quase 10 mil contratos, com investimento total de R$ 23,3 milhões. O número de pessoas inscritas chega a 25,9 mil. Desses, 16,3 mil foram capacitados em cursos e palestras gerenciais.

O secretário municipal de Desenvolvimento Sustentável da Produção, Raimundo Nunes Pereira, destaca que o Empreender surgiu de uma proposta que envolve não apenas a concessão de crédito, mas, principalmente, o acompanhamento e capacitação dos microempreendedores. “E é por isso que temos resultados tão bons. Não basta dar o dinheiro, é necessário mostrar como aplicá-lo de maneira eficiente”, afirma.

Hoje, o programa é referência nacional e modelo para outras prefeituras que planejam seus próprios programas de microcrédito. Cajazeiras, no sertão paraibano, por exemplo, implantou o Empreender em julho do ano passado. E Petrolina, Timbaúba, Jaboatão dos Guararapes (os três em Pernambuco), Osasco (SP), Manaus (AM), Maceió (AL), Rondonópolis (MT) e Volta Redonda (RJ) já anunciaram interesse em adotar o projeto.

“Certamente temos muito a contribuir também com o Empreender Paraíba, que está sendo implantado pelo Governo Ricardo Coutinho. E é isso o que estamos fazendo: trocando informações para trabalhar em favor de um bem comum para todo o Estado da Paraíba”, declara Nunes.

Para priorizar determinados grupos empresariais, o Empreender criou linhas de crédito especiais ao longo dos anos – modalidades de empréstimo direcionada, por exemplo, a jovens, idosos, pessoas com deficiência e mulheres em situação de risco. Hoje, além da linha tradicional, o programa possui nove linhas especiais: Cinturão Verde, Superação, Empreender 50+, Mercados Públicos, Comerciantes Informais, Grupos Comunitários, Empreender Mulher, Capital de Giro e Empreender Jovem.

Oportunidade – O Empreender ajuda pessoas como a comerciante Mércia Alves de Oliveira, de 36 anos. Portadora de uma deficiência na perna direita, ela foi incluída na linha de crédito especial Superação, criada em parceria com a Asdef (Associação de Deficientes e Familiares de João Pessoa). A comerciante conta que, inicialmente, planejava vender bolos em casa.

“Mas não deu certo, porque eu tinha muito problema com as pessoas pedindo fiado. Foi aí que surgiu a oportunidade de ter um box no Centro Comercial do Varadouro”, conta. Mércia instalou-se em um dos 10 boxes reservados para portadores de deficiência no shopping popular. “Eu não havia gasto ainda todo o dinheiro [do empréstimo, no valor de R$ 3,6 mil] e resolvi mudar de atividade. Comprei óculos, bonés e outros acessórios e montei meu box”.

A comerciante destaca outro benefício do Empreender-JP: os juros baixos.  Como quitou o empréstimo antecipadamente, graças a uma indenização que recebeu, Mércia não pagou juros sobre o dinheiro que recebeu. A vantagem não é exclusiva de quem antecipa a quitação do empréstimo. Todos os beneficiários que pagam as prestações em dia têm direito ao abatimento da última ou das duas últimas parcelas, dependendo da linha de crédito. Com isso, é como se ele não tivesse pago juros ao longo do contrato.

“É um projeto muito bom, que dá chances a quem não consegue crédito em outros lugares”, avalia Mércia. Agora ela já planeja o segundo empréstimo. “Vou renovar para colocar umas prateleiras aqui, para deixar a loja mais bonita”.

Animada com os resultados, a comerciante já “apresentou” o Empreender a outros amigos. Por exemplo, à artesã Gizelda Costa da Silva, de 46 anos. “As coisas melhoraram, sim. Não fosse por esse empréstimo, eu não teria condições de comprar mercadorias para continuar trabalhando. No Banco do Nordeste, por exemplo, eu teria que arrumar seis pessoas como avalistas. Não tinha condição”, conta.

Ela retirou R$ 1,2 mil para comprar peças para as bijuterias que vende também no Centro Comercial do Varadouro. Há oito anos trabalhando com artesanato, Gizelda conta que consegue ganhar atualmente de R$ 500 a R$ 800 por mês, principal renda dela e dos dois filhos pequenos, de 8 e 9 anos. “Quitei o primeiro empréstimo em outubro e, agora, estou indo atrás de renovar. Quero continua crescendo”.