Prefeitura remove famílias das margens do rio Jaguaribe

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A Prefeitura de João Pessoa (PMJP) já demoliu 10 das 42 casas localizadas às margens do rio Jaguaribe, no trecho que corta o bairro São José. Os moradores desses imóveis foram relocados para casas alugadas pelo Governo Municipal na própria comunidade. As famílias estão sendo removidas por dois motivos: facilitar o serviço de limpeza emergencial do rio, realizado pela Autarquia Especial de Limpeza Urbana (Emlur), e pela preocupação do poder público com a vida dessas pessoas, que habitavam locais de risco.

Nove edificações ficavam no lado direito do rio, nas proximidades da BR-230, no final do São José, e uma na comunidade Chatuba. As famílias removidas estão incluídas no programa de Auxílio Social, da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), e devem ser contempladas com novas residências futuramente, dentro do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC).

Além da Emlur e da Sedes, estão participando da operação de limpeza emergencial do rio Jaguaribe as secretarias de Desenvolvimento Urbano (Sedurb), Meio Ambiente (Semam) e a Defesa Civil.

Sem riscos – Na manhã desta quinta-feira (30), enquanto a escavadeira retirava os entulhos, a lama e o lixo do local de onde as casas haviam sido demolidas, os antigos moradores acompanhavam de perto a operação. “Para mim foi muito bom”, afirmava Manoel Amâncio da Silva, catador de material reciclável. Ele contou que vivia com medo de morar tão próximo às margens do rio. “Ficava assustado, principalmente, em época de chuva. Agora não, vamos ter casas nossas, com documentos e num local sem os riscos”, ressaltou.

O diretor de Operações da Emlur, Orlando Soares, informou que outras edificações poderão ser demolidas de acordo com as necessidades ou imprevistos durante o trabalho de limpeza. Segundo ele, essas remoções são imprescindíveis, pois à medida que a operação de limpeza vem sendo realizada, o rio ganha uma velocidade maior de correnteza e as casas construídas próximo ao leito estariam ameaçadas.

Outro fator que levou a demolição dessas edificações foi a necessidade de pontos de acesso para a entrada da escavadeira hidráulica e de caminhões. Por isso, antes de iniciar o serviço, a Emlur, com o apoio da Defesa Civil, Semam e Sedes, fez um levantamento e detectou 18 pontos onde famílias deveriam ser removidas.

Efeitos – O diretor da Emlur garante que os efeitos dessa operação de limpeza do rio já são visíveis em pontos de alagamentos da cidade, onde antes as águas demoravam dias para baixar. A limpeza do rio Jaguaribe começou em março deste ano, desde a foz e se estenderá até a nascente nas Três Lagoas, no Bairro de Oitizeiro, e tem a finalidade de melhorar a vazão do rio, com a retirada superficial de vegetação e lixo.

A Equipe de Operações Especiais da autarquia já limpou mais de 800 metros de rio, na área que compreende a foz (próximo à BR-230 no final do São José) até a comunidade Chatuba. Desde que começou a ação, os agentes de limpeza já retiram de dentro e das margens do rio aproximadamente 800 toneladas de vegetação aquática e resíduos jogados indevidamente pela população. A previsão é de que a ação seja concluída em julho.

Não é um trabalho fácil nem rápido. À medida que a operação avança, muitos obstáculos são encontrados como as ocupações irregulares e a falta de conscientização da população ribeirinha que insiste em jogar lixo dentro do rio, apesar da coleta regular feita pela autarquia. A Emlur está utilizando escavadeira hidráulica, barco, caminhão e 20 agentes de limpeza para a execução do serviço.