Programa Ronda Maria da Penha recebe visita de estudantes canadenses

Por Fátima Sousa - em 580

O trabalho realizado pela Ronda Maria da Penha, programa de enfrentamento à violência contra a mulher, executado pela Secretaria Extraordinária de Políticas Públicas Para as Mulheres (SEPPM), será apresentado nesta quinta-feira (19), a uma equipe de universitários canadenses em intercâmbio com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

O grupo de estudantes é coordenado pela a Profª Drª Rafaella Queiroga, da UFPB, e se reunirá com a equipe da gestão municipal, às 8h30, na sede da SEPPM, localizada no Paço Municipal.

A equipe de universitários é formada por dez alunos, sendo cinco da UFPB e cinco de instituição canadense. A visita objetiva conhecer a realidade do combate à violência realizada pela Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP), através da Coordenação de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher e a Ronda Maria da Penha. Em contrapartida, os alunos apresentarão trabalhos desenvolvidos no Canadá sobre o tema.

A coordenadora da Ronda Maria da Penha, Monica Brandão, destacou a importância desta visita para o programa. “É uma rotina nossa receber escolas, igrejas e outras instituições querendo saber do nosso trabalho. Nós fazemos a interlocução entre a academia e a prática da nossa política pública. Essa visita é muito importante porque iremos conhecer a experiência do enfrentamento à violência contra a mulher dentro de uma realidade trazida de fora”, destaca ela.

Trabalho – A Prof. Drª. Rafaella Queiroga Souto fez doutorado em Ryerson University, em Toronto, Canadá, no ano de 2014, sob a supervisão da Prof. Drª Sepali Gurupe  e, desde então, vem desenvolvendo parcerias e intercâmbios entre discentes e docentes entre  instituições de ensino.

Ela considera que o intercâmbio e as visitas às instituições podem beneficiar cultural, intelectual e profissionalmente, havendo uma troca mútua estabelecida por meio do diálogo com discentes de um país desenvolvido e com a experiência de vivenciar como os serviços brasileiros enfrentam o fenômeno da violência doméstica contra a mulher.

Segundo a professora, do frequente diálogo com a instituição canadense resultou a participação no projeto de extensão intitulado “Local stakeholder consultation in developing multi-level intervention strategies to address violence against women in Paraíba-Brazil”, que objetiva oferecer aos alunos de graduação canadense uma oportunidade de vivenciar a atuação dos serviços públicos no Brasil voltados ao enfrentamento da violência doméstica.

No Brasil, o projeto é intitulado “Consulta a stakeholders do desenvolvimento de estratégia de intervenção de diferentes níveis de atenção para enfrentar a violência contra as mulheres” e faz parte do Programa de Bolsa e Extensão (Probex) da UFPB, com objetivo de formar uma equipe brasileira, de docentes e discentes, que possa auxiliar no acolhimento das intercambistas.

Os estudantes já conheceram a equipe e a rotina de funcionamento do Centro de Referência da Mulher Ednalva Bezerra, que também faz parte da SEPPM.

Em visita a SEPPM, os estudantes terão a oportunidade de saber mais sobre os tipos de violência e a dinâmica da secretaria para combater cada um deles. Além de conhecer suas ações, campanhas permanentes e o serviço da Ronda Maria da Penha, que atualmente está com uma sala própria, acolhendo as mulheres em situação de violência doméstica e familiar com medidas protetivas de urgência, contando com serviço de profissionais da assistência social e do direito.

Como funciona – A Ronda Maria da Penha segue uma linha de atuação que desenvolve triagens, visitas, monitoramento e ações educativas. A ronda é realizada pela SEPPM e a Guarda Municipal. Após o agressor ser notificado pela Justiça sobre a medida protetiva, que o impede de se aproximar da vítima, a equipe multidisciplinar entra em ação, primeiro em contato com a vítima para que ela autorize o acompanhamento da ronda.

A mulher recebe visitas periódicas e é monitorada tanto presencialmente, como por telefone e WhatsApp , para entrar em contato com a Ronda caso se sinta ameaçada. Ao acionar, a Ronda fica por perto e comunica à Justiça que houve o descumprimento da medida judicial. A Guarda Municipal aciona a Polícia Militar por meio do CIOP.

Além da Ronda Maria da Penha, a SEPPM trabalha com ações voltadas para a geração de renda (independência financeira), educação e assistência social e à saúde da mulher.