Projeto afasta 2.440 crianças do trabalho infantil na Capital

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“A criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento (…). Eles têm direito ainda a “brincar, praticar esportes e divertir-se”. Os dois trechos, extraídos da Lei n° 8.069 que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), resume um pouco do trabalho que a Prefeitura de João Pessoa (PMJP), através da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), vem intensificando nos últimos cinco anos.

Um dos projetos de sucesso nesta área é o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), que atende 2.440 crianças e adolescentes na faixa etária de 7 a 15 anos e 11 meses. Para lembrar a luta contra esse tipo de exploração é comemorado, nesta sexta-feira (12), o ‘Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil’.

Na Capital, o trabalho do Peti é desenvolvido em 28 núcleos. Neles, os jovens têm acesso a diversas atividades oferecidas no horário oposto ao escolar. Nas oficinas de música, o programa tem atualmente cinco grupos de percussão que reúnem 120 crianças e adolescentes. Os meninos e meninas que fazem parte do projeto já gravaram um CD, que está em fase de acabamento para ser lançado.

Ainda na área de produção cultural, o Peti tem dois corais formados, envolvendo 60 jovens, outros 80 em grupos de flauta, três grupos de danças e mais quatro em fase de formação com 80 participantes. Além de três grupos de teatro, onde os 60 integrantes se apresentam no Festival de Teatro Estudantil realizado no Teatro Lima Penante. O grupo do bairro de Cruz das Armas tem duas grandes produções, que são a Paixão de Cristo e o Alto de Natal, que também mobiliza outras pessoas da comunidade.

Esporte – Na área do esporte são desenvolvidas diversas atividades em parcerias com empresas privadas, a exemplo do Instituto Alpargatas. Várias modalidades são praticadas, além das atividades que resgatam brincadeiras populares como pião, corda, baleado, etc. Adriano Dias, coordenador do Peti, disse, inclusive, que as crianças e adolescente vêm participando de campeonatos e tendo bons resultados. “No ano de 2009 fizemos a primeira volta na lagoa. Também tivemos a premiação em primeiro lugar de três crianças no Campeonato Brasileiro sub-13, Regional Nordeste, tendo conseguido os 3º e 5º lugares no Campeonato Brasileiro no Espírito Santo”, comemorou Adriano.

Para o coordenador do programa em João pessoa, o estímulo as diversas atividades artísticas, culturais e esportivas vêm fortalecendo o processo de socialização dos jovens atendidos pelo Peti. “No tocante ao desenvolvimento social das crianças e adolescentes, a participação nas diversas atividades, com apresentações públicas, em festival de teatro, eventos esportivos, a exemplo a volta da Lagoa, os campeonatos de futsal, maratoninha da Caixa, entre outros, têm favorecido a interação social do grupo e aumentando, significativamente, a auto-estima deles”, destacou Adriano.

Centro Livre Meninada– Um dos projetos desenvolvidos nos 28 núcleos de atuação do Peti, em João Pessoa, é o realizado pelo ‘Centro Livre Meninada’, que atende 150 crianças e adolescente de bairros como Rangel, Cristo, Jaguaribe, entre outros adjacentes. As atividades são realizadas em oficinas lúdicas de teatro de fantoches, dança, capoeira, culinária, literatura e educação ambiental, que são oferecidas em dois períodos, das 8h às 11h e das 13h às 17h. Catarina Arruda, coordenadora do núcleo, explicou que a aceitação dos jovens é grande e ativa. “As crianças e os adolescentes participam bastante de todas as atividades oferecidas pelo núcleo. Também percebemos que mesmo depois de completarem a idade estabelecida para o programa, eles continuam a frequentar as oficinas, isto mostra o quanto nosso trabalho está surtindo efeitos positivos”, comemorou Catarina.

As oficinas são realizadas em parceria com outras secretarias municipais, tais como Saúde (SMS) e Meio Ambiente (SEMAM), além de universidades públicas e privadas. De acordo com Catarina Arruda, uma das oficinas com grande participação é a de literatura, onde acontece a produção de poesias e cordéis. “Na oficina, deixamos os jovens livres para produzir. Eles viajam pelo próprio universo e falam sobre seus anseios e lutas”, explicou.

Cordéis – Um exemplo desse trabalho pode ser conferido nos cordéis produzidos por Aline da Silva, de 14 anos e Jailson Félix, da mesma idade. Aline escreveu: “Criança não é objeto, criança é um ser, deve ser tratada com amor, pra ser feliz quando crescer”. Jailson também falou sobre o desejo de um mundo mais justo: “Criança cidadã, criança solidária, criança carente é criança necessitada. Vou lutar para um mundo feliz, vou lutar para vê-la gente e vou mostrar para esse País, que não existe mais criança carente. Olhei carro, peguei frete, só mudei de vida quando alguém pra mim falou do Peti”.

E ainda continua: “Antes de entrar no Peti eu não tinha o que fazer, passava o dia na rua. Agora passo meu tempo fazendo o que gosto, dedicando minha vida ao aprendizado. Sei que isso aqui é uma passagem e por isso tento aproveitar ao máximo, pois o que eu aprender vai servir para meu futuro. Quero me formar, ser professor de teatro e levar minha arte para outras crianças”, planeja o jovem Jailson Fêlix.

O trabalho realizado pelo programa também abrange as famílias das crianças e dos adolescentes. Prova disso são as oficinas de produção de barra de sabão, compostagem (adubo orgânico) e de fitoterapia, que é o tratamento de doença mediante o uso de plantas. O objetivo é levar para as feiras-livres o que for produzido e, assim, gerar renda para as famílias. Outro contato feito com os parentes dos jovens é a reunião mensal, tipo terapia comunitária, onde os pais têm espaço para discutir vários assuntos relacionados aos filhos e o desempenho deles no programa.

“O trabalho com as famílias é outro ponto importante, pois esse contato tem oportunizado uma relação mais próxima com as mesmas, aumentando assim a confiança de todos. O projeto de geração de renda é outro aspecto importante e que tem trazido bons resultados’, enumerou Adriano Dias.

12 de junho – O Dia contra o trabalho infantil é comemorado todos os anos nesta data. Em 2009, a data também marcará o décimo aniversário da adoção simbólica da Convenção nº 182 da OIT, que trata da proibição das piores formas de trabalho infantil.