Projeto Piloto de xadrez da Sedec discute etnia e sociabilidade

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O projeto piloto de xadrez da educação infantil, desenvolvido pela Secretaria de Educação e Cultura (Sedec) no Centro de Educação Infantil (Crei) El Shaday, localizado no bairro de Jaguaribe, inicia suas atividades esta semana, com um diferencial no espaço lúdico-pedagógico: aproveitar a oportunidade do jogo para discutir relações de gênero, etnia e sociabilidade.

A idéia partiu da coordenadora do projeto, Lili Cavalcante, que observou uma diferenciação no território de jogos entre os meninos e as meninas, além de discussão de classe social e etnia. “Quando existia a divisão para interpretar os personagens do tabuleiro de xadrez, como o rei, a dama, peões, torres, cavalos e bispos, começavam os conflitos. Meninos não queriam ser damas, e se questionavam por exemplo, se poderiam ter damas negras”, afirma.

Este ano, através dos jogos de xadrez, que estimulam a uma analogia da vida real, o projeto pretende aprofundar nestas questões de sociabilidade, respeito e diferenças para instaurar novos comportamentos e auto-estima. “Uma das descobertas foi o grande interesse das meninas com o aprendizado do jogo, muito mais do que os meninos, que em sua maioria dominam o território do xadrez quando adultos, como se o raciocínio lógico e a concentração fossem qualidades típicas do universo masculino”, analisa Lili.

O projeto Xadrez nas Escolas atua também nas 92 escolas da rede municipal de ensino e desenvolve aulas semanais, simultâneas, olimpíadas escolares e xadrez humano. Na educação infantil, o Crei El Shaday continua como projeto piloto, desenvolvendo técnicas específicas de aprendizado para crianças de quatro e cinco anos. O planejamento é que outras Creis também façam parte do projeto ainda este ano.