Projeto ‘Sabadinho Bom’ traz chorinho e homenageia Camões

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O chorinho, que é considerado o primeiro estilo musical urbano do país, tem lugar e hora marcada nos finais de semana da capital paraibana. O projeto ‘Sabadinho Bom’, que já se tornou uma referência cultural nas tardes de sábado da Praça Rio Branco, vai trazer neste dia 5 o grupo paraibano Chorisso, a partir das 12h. Na ocasião, o evento homenageia Walfredo Macêdo Brandão, o “Camões”. Ele era proprietário do Bar de Camões, no mesmo espaço, em idos na década de 70. O estabelecimento faz parte da identidade do Centro Histórico da cidade. A iniciativa é uma realização é da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope).

Na apresentação deste sábado, o Chorisso promete um repertório liderado pelos clássicos do choro brasileiro, executando músicas de Sivuca, Ernesto Nazareth, Hermeto Pascoal, Anacleto de Medeiros e Severino Araújo. Há espaço ainda para as composições próprias. O grupo foi criado em 2007 e já se apresentou em todo o Nordeste.

Em 2008, O Chorisso gravou o primeiro CD graças a uma proposta de produção musical que foi aprovada pelo no projeto “Pixinguinha”, da Fundação Nacional de Artes (Funarte). No ano seguinte, o grupo participou de diversos registros musicais com artistas paraibanos e de estados vizinhos.

Bar do Camões – Walfredo Macêdo Brandão fundou o Bar de Camões em 1971, na Rio Branco, nº 88A. Isso no tempo em que os lados da praça ainda eram identificados por letra. O estabelecimento, famoso na época, foi reduto de artistas, intelectuais, universitários e pedintes da capital. O local funcionou até 1986, quando o “Camões”, como era chamado, faleceu.

Na década de 70, o país e a Paraíba passavam por um momento tenso da política. O Bar de Camões era, portanto, um ponto de reflexão da sociedade, como relembrou o filho do proprietário, Léo Macêdo. “Lá eram feitos vários encontros entre artistas, jornalistas, políticos, estudantes. O espaço era boêmio e cultural”, comentou. “Era um ponto forte de discussões e debates, mas as divergências nunca eram levadas para o lado pessoal”, observou.

Quem viveu em João Pessoa na década de 70 deve lembrar que nas terças-feiras o Bar de Camões oferecia um tradicional prato nordestino, bem famoso entre os freqüentadores – o “picado”. A iguaria era preparada pela esposa de Camões, Dona Zumira. Homenagear o estabelecimento também é recordar o que havia no entorno dele. “Na Rio Branco também trabalhava o empalhador de cadeiras Casquete, que foi assassinado na praça, além dos conhecidos João Sapateiro e João Funileiro”, comentou Léo Macêdo.

A essência das ruas do Centro da Cidade não pode ser verdadeiramente percebida por olhares que simplesmente passa por elas. Exercitar a memória cultural é uma maneira de fazer com que não se perca de vista cada canto e personagem que ajudou a construir a identidade da capital. E uma das missões da atual gestão municipal é justamente a de resgatar esses feitos e momentos que fizeram parte da vida de muitos pessoenses. Por esse motivo é que homenagens, como essa dirigida a “Camões”, têm porto seguro na tradicional Praça Rio Branco, durante as tardes do ‘Sabadinho Bom’. E outras histórias virão.