Projovem e Empreender facilitam a busca pelo primeiro emprego

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João Pessoa é, hoje, referência de boa gestão dentro do Ministério do Trabalho e Emprego. Um dos motivos é o desempenho do ProJovem Trabalhador – Juventude Cidadã, programa federal implantado pela Prefeitura de João Pessoa pela primeira vez em 2009. Este ano, na segunda edição do projeto, a meta da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Sustentável da Produção (Sedesp) é formar 6 mil jovens com idade entre 18 e 29 anos em 19 cursos de qualificação profissional em áreas como administração, turismo, comunicação, construção e transporte.

Pelo convênio, após os seis meses de aula, a Sedesp tem por meta inserir 30% dos alunos no chamado “mundo do trabalho”, por meio de empregos com carteira assinada, do trabalho autônomo ou do estímulo ao empreendedorismo. Em 2009, a marca foi atingida. Dos 4.020 alunos, mais de 1,2 mil começaram a trabalhar. Agora, o convênio assinado com o Ministério do Trabalho prevê a inclusão de pelo menos 1,8 mil dos 6 mil novos estudantes. Mas a coordenadora do programa, Ludmila Carvalho, explica que a equipe local trabalha com uma meta maior, de encontrar trabalho para até 50% dos alunos.

Alunos que participaram da primeira edição do programa, em 2009, revelam o quanto a iniciativa pode fazer a diferença para quem está começando agora a vida profissional. É o caso da ex-aluna Juliana Carla Gomes da Silva, de 22 anos. Ela concluiu o curso de alimentação e conseguiu, com a intermediação do projeto, uma oportunidade no supermercado Extra na função de jovem aprendiz.

“O jovem aprendiz tem que conhecer de tudo um pouco dentro da empresa. Eu fiquei mais tempo na parte de frios, que estava mais ligada ao que eu aprendi no ProJovem sobre higiene, manuseio e armazenagem dos produtos. Esse curso para mim foi essencial, porque foi através dele que eu consegui essa oportunidade. Minha irmã está até fazendo este ano. Ela tem 20 anos e optou por alimentação também”.

Juliana explica que ficou na função por um ano, que é o tempo máximo previsto pelo contrato de jovem aprendiz. “Estou colocando meu currículo no mercado, mas aguardo ser chamada de novo pelo Extra, porque, após seis meses do encerramento do contrato, eu já posso ser recontratada por eles”, conta.

O ProJovem também foi um estímulo para Juliana voltar a apostar nos estudos. Ela fez vestibular para o curso de Biblioteconomia, foi aprovada e vai começar as aulas no segundo semestre. “Eu sempre gostei de estudar e esse curso veio acrescentar na minha vida. Hoje para você conseguir emprego encontra muita dificuldade se não tiver experiência ou um curso que lhe dê essa experiência. Ir de cara sem ter nada é muito complicado”.

Também ex-aluna do curso de alimentação, a auxiliar de cozinha Márcia da Silva Cabral, de 29 anos, conta que o ProJovem é uma oportunidade para quem sabe se dedicar. Logo depois de concluir as aulas, ela conseguiu um emprego formal em um grande restaurante da Capital. Está na empresa há mais de um ano.

“Foi muito bom, porque foi a chance para eu ter o meu primeiro emprego. Além disso, o curso é muito bom também. Aprendi sobre boas práticas e outras coisas importantes. Hoje sempre recomendo às outras pessoas que façam”, conta. Márcia pensa em buscar novas capacitações. “Quero fazer outros cursos, agora em Hotelaria e Turismo, que eu acho que é uma área em expansão. Penso em trabalhar com cozinha internacional”, explica.

Quem também planeja buscar novas capacitações e continuar os estudos é Elaine Fernandes Rocha, de 24 anos. Ela concluiu em 2009 o curso de Esporte e Lazer do Juventude Cidadã. Ao longo dos seis meses de aula, trabalhou como aprendiz em eventos de ruas e com recreação infantil por meio do intermédio do programa.

Hoje ela está sem trabalhar, por isso está investindo nos estudos. “Para essa área de esporte e lazer, é muito importante também ter um curso superior. E é essa a minha meta agora. Passar para Educação Física”. Este ano ela se inscreveu no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e está se preparando para fazer as provas em outubro. “Estou muito esperançosa”.

Empreender-JP – O secretário Raimundo Nunes (Sedesp), já anunciou que o Empreender-JP (Programa Municipal de Apoio aos Pequenos Negócios) será um aliado do ProJovem, oferecendo aos alunos uma oportunidade de trabalho por meio do empreendedorismo. Segundo ele, 600 alunos terão a oportunidade de retirar empréstimo por meio do projeto para abrir ou ampliar pequenos negócios nas diversas áreas de atuação.

Em 2009, aproximadamente 100 alunos solicitaram crédito ao programa. Entre eles estava Alisson de Carvalho Santos, que hoje tem 23 anos e cursou na época Administração. Com os R$ 2.500 que recebeu, Alisson comprou vídeo games e montou uma sala de jogos no bairro do Cristo, onde mora. O início foi melhor do que ele esperava e, logo nos primeiros meses, pagou de uma vez cinco parcelas do empréstimo.

“Com o tempo o movimento começou a diminuir, foram abrindo lan houses por perto e o interesse caiu. Fechei a sala, vendi os vídeo games e investi em outra ideia: equipamento de som para festa. E é com isso que estou agora”, conta. Para ele, o Juventude Cidadã foi uma oportunidade que o ajudou muito. “Tudo foi proveitoso. Tive professores muito bons. Um deles fez uma atividade uma vez, pedindo que escrevêssemos o que queríamos ser e o que precisávamos ser. E eu escrevi: quero ser um dos melhores no curso. E fui”, conta.

As aulas estimularam Alisson a continuar os estudos. Ele prestou o Enem, mas não chegou a ser aprovado da primeira vez. Pretende agora, no final deste ano, tentar vestibular para a Universidade Estadual da Paraíba, para o curso de Administração. “Quero continuar nessa área, ter meu próprio negócio. É bem melhor que trabalhar para os outros”, afirma.

Estímulo – Entre os alunos que retiraram empréstimo do Empreender está também Albanessa Ferreira da Silva, de 20 anos. Ela fez o curso de Agroextrativismo, mas terminou aplicando o dinheiro que recebeu, cerca de R$ 1,5 mil, na compra de equipamentos para a mercearia que a família tem, no bairro do Jardim Veneza. “Os planos iniciais eram outros. Eu pensava em montar uma escolinha, mas terminamos achando melhor aplicar em algo que já existia. E ajudou bastante mesmo”, conta.

Mesmo não trabalhando mais na área do curso de capacitação do ProJovem, Albanessa afirma que aulas continuam sendo muito úteis. “Aprendi coisas muito importantes, como gestão social e financeira, empreendendorismo, e isso tudo eu estou aplicando”, garante.

Este ano, a jovem pretende fazer vestibular para o curso de Psicologia na UFPB. “Desde os 13 anos eu sou apaixonada por essa profissão. Estou sempre lendo. E o ProJovem foi um estímulo para eu continuar estudando mais e mais”, afirma.