Ray Lema e Adeildo são as atrações no Estação Nordeste

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O convidado especial mais esperado para a festa de aniversário da cidade de São Paulo, que se apresentou esta semana com a Jazz Sinfônica paulista, estará na capital paraibana nesta sexta-feira (29). O pianista congolês Ray Lema será a atração do projeto Estação Nordeste, a partir das 21h, no Ponto de Cem Réis. O artista é conhecido mundialmente pelas composições que misturam sons africanos, europeus e americanos. Também sobe ao palco na mesma noite o cantor e compositor Adeildo Vieira e o coco-de-roda do grupo Caiana dos Crioulos, oriundo de uma comunidade quilombola existente nas imediações do município de Alagoa Grande. A realização é da Prefeitura de João Pessoa (PMJP), por meio da sua Fundação Cultural (Funjope).

Das teclas do piano e da voz de Ray Lema soam o sincretismo musical que ultrapassa fronteiras. O trabalho, conhecido e admirado pelos quatro cantos do mundo, foi apresentado no palco externo do auditório do Ibirapuera, em São Paulo, na última segunda-feira (25). Esse foi o presente de aniversário dos paulistanos. Mesmo não sendo aniversariante, João Pessoa recebe o convidado vip quatro dias depois. No repertório do artista, está uma sonoridade criada a partir da música tradicional do Congo, sempre aberta a fusões com outros ritmos.

O artista começou a carreira como pianista clássico. Ao lado de Salif Keita e Fela Kuti, o pianista Ray Lema é um dos pioneiros musicais da diáspora africana, que se espalhou pelo mundo, a partir dos anos 70. Ele participou do nascimento da World Music.

Compositor, arranjador e intérprete, Lema tocou com grandes nomes da música africana, entre eles Tabu Ley, Rochereau e Papa Wemba. O músico, com vivência no Jazz, produziu um disco ao lado do grupo ‘O Mistério das vozes búlgaras’, além do álbum ‘The Rhithmatist’, com o baterista da banda The Police, Stewart Capeland. Antes de se instalar na França, em 1982, Lema também morou nos Estados Unidos.

Há Braços – O cantor e compositor paraibano Adeildo Vieira vai apresentar um repertório baseado no mais novo CD, ‘Há Braços’, lançado recentemente. O álbum tem canções inéditas e outras que abasteceram os shows do artista, realizados nos últimos dez anos, desde o primeiro registro fonográfico.

Adeildo Vieira nasceu em Itabaiana. Ele foi um dos integrantes do movimento cultural conhecido como Musiclube da Paraíba, ao lado de artistas como Pedro Osmar, Chico César, Milton Dornellas, Paulo Ró e Escurinho. A iniciativa é considerada o marco da formação estética e política do artista. Em 2000, depois do lançamento do primeiro CD, ‘Diário de Bordo’, o músico conquistou o Troféu Imprensa, nas categorias de melhor disco e melhor compositor. A partir daí, vem mostrando seu trabalho em shows locais, nacionais e até internacionais.

Remanescente quilombola – Caiana é um dos 13 legítimos quilombos brasileiros. Esse patrimônio está justamente nas proximidades da terra de Jackson do Pandeiro, em Alagoa Grande. Embora esteja a apenas 122 quilômetros de João Pessoa, a comunidade ainda hoje permanece como “um mundo à parte”, privilegiada pelo clima campestre que rodeia o local.

O grupo Caiana dos Crioulos, que se apresenta no Estação Nordeste desta sexta-feira (29), é um exemplo das tradições herdadas dos ancestrais africanos na comunidade quilombola. Os integrantes vão mostrar o coco-de-roda dançado por cirandeiras, que ainda é uma importante manifestação cultural do lugar.

Uma versão diz que a população de Caina, descendente direta de escravos, se instalou por lá no século XVIII, vinda de Mamanguape. Outra possibilidade é que o povoado surgiu de negros fugidos de Palmares (AL). Independente da origem, as memórias ancestrais ficam explícitas nos instrumentos, músicas, danças e costumes daquele povo.