Ricardo lança ‘João Pessoas – A Memória da Cidade’, na quarta

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O testemunho de filhos e filhas – adotivos ou naturais – da terceira cidade mais antiga do País permeia as linhas e entrelinhas da coleção ‘João Pessoas – A Memória da Cidade’. Os três primeiros volumes do projeto, somando 240 páginas, são acompanhados por um DVD e serão lançados pelo prefeito Ricardo Coutinho (PSB) nesta quarta-feira (17), às 20h30, na casa de recepções ‘Sonho Doce’. Trata-se de um memorial que transcende a mera história, porque desnuda a alma da Capital, que passa a ser sentida de perto, à flor da pele, com intimidade.

“As topografias das cidades, com seus ambientes e edificações são como o corpo de uma pessoa. Para adquirir alma, a cidade vai buscar na essência de sua gente o sopro necessário para moldar o espírito”, escreveu Ricardo Coutinho no encarte que envolve os três primeiros livros da coleção. “Outras personalidades anônimas ou notórias, tijolos dessa construção histórica, virão na seqüência, estabelecendo-se as premissas básicas para posterior instalação da Biblioteca Municipal e do Museu da Imagem e do Som”, visionou o chefe do Executivo sobre o projeto.

Como registrou oportunamente o jornalista Fernando Moura em texto de apresentação do primeiro volume, o projeto é uma “pedra fundamental desse monumento ao autoconhecimento”. Tal espécie de ‘marco zero’ ao qual o coordenador da iniciativa se refere é comparado precisamente por ele a um “baú materializado pela Prefeitura de João Pessoa em livros e documentários”.

Anfitriões – Se esse é apenas o primeiro passo de um projeto com dimensões a perder de vista, já se pode dizer de passagem que os três volumes iniciais conseguiram dar o recado. Eles deixaram a impressão de um bate-papo informal entre amigos, sobre um assunto muito íntimo: João Pessoa. Partindo dessa comparação, poderia dizer que os anfitriões seriam o jornalista, cronista e pesquisador Gonzaga Rodrigues; o jornalista, romancista, poeta e crítico literário Acendino Leite; e a assistente social e professora aposentada da UFPB, Elisa Mineiros, conhecida como ‘a guerreira’ ainda desde a juventude, por ser uma das militantes mais atuantes da esquerda em todo o País.

Cada um dos três entrevistados centrais dos volumes iniciais foram protagonistas de episódios pitorescos, muitas vezes até dramáticos, vividos pela Capital. Gonzaga, Acendino e Elisa, que também constituem parte dessa tal ‘alma’ da cidade, são por sua vez comentados pelos próprios amigos. É nesse ápice que aparece uma João Pessoa sensorial.

Conversas – Martinho Moreira Franco, Paulo Soares, Milton Nóbrega, Ângela Bezerra de Castro, Douraci Vieira, Cíntia Galiza, Derly Pereira, Eliezer Gomes, Wilson Aragão, Marília Carneiro Arnaud, Joacil de Brito Pereira, Juarez Farias e Hildeberto Barbosa Filho integram as ‘conversas’ nas páginas, durante as entrevistas conduzidas pelo jornalista Ulisses Barbosa.

Aspectos sociais, econômicos, políticos, científicos e culturais de uma João Pessoa de múltiplas etnias oferecem o teor do ‘papo’ entre amigos. Os volumes possuem ainda textos dos jornalistas Luiz Augusto Crispim (falecido) e Walter Galvão, além de inclusão de cartas enviadas pelo atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Elisa Mineiros.

Fazem parte também dos três primeiros volumes de ‘João Pessoas – A Memória da Cidade’, o acervo fotográfico de Gonzaga Rodrigues, Antônio David, Acendino Leite e Elisa Mineiros. A realização do projeto foi da Secretaria de Comunicação Social (Secom) e da TV Cidade de João Pessoa. O projeto gráfico é da agência de publicidade 9Idéia.

“O fato é que todas essas mentes nostálgicas têm a autoridade para emitir a certidão de nascimento de uma terra que, mesmo imensa em todos os sentidos, lhes cabe curiosamente na palma das mãos”, como oportunamente destaca Moura. A intenção, segundo ele, é “registrar às gerações sucessoras o respeito e o amor ao chão comum”.