Ritmos eruditos e populares no Música do Mundo, segunda

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Instrumentos eruditos e populares, rítmicos e melódicos. Essas ferramentas vão se alternar para resgatar o repertório camerístico da percussão mundial e também buscar o melhor da música brasileira do início do século passado até os dias atuais. Uma espécie de ‘túnel do tempo’ será o passeio garantido para o público que for conferir os grupos de Percussão do Nordeste (GPN), Oitavando e Paraibass. Os três se apresentam nesta segunda-feira (29), a partir das 19h, no Festival Música do Mundo, promovido pela Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope). O evento segue até a terça-feira (30) com outras atrações e acontece em palco armado nas areias da praia de Tambaú, próximo ao Busto de Tamandaré.

No concerto desta segunda-feira, o GPN vai apresentar um repertório bastante variado com relação aos estilos original das canções. Além das composições eruditas, serão executadas peças que não foram escritas especificamente para percussão e por isso precisaram ser adaptadas pelos integrantes. O público também vai ter a oportunidade de ouvir obras populares e de artistas locais. Isso é o que garante o professor e músico Chiquinho Mino.

“Como temos a proposta de composições, que está vinculada ao (projeto) ‘Compomos’, da UFPB, vamos executar obras de autores locais. Uma delas é ‘Três tristes tigres’, de Arimatéia de Melo, que será lançada para o mundo no dia de nossa apresentação. Foi escrita para um trio de percussão, alternando vários instrumentos”, explicou Chiquinho Mino.

No repertório escolhido pelo grupo para a noite da segunda-feira estão ainda ‘Highlife’, ‘Afro Amero’, ‘Bayport Sketch’, ‘Japanese Overture’, ‘Guilherme Tell’, ‘Trepak’, ‘A La Samba’, ‘Mau Mau Suíte’, ‘Percussive Panorama’ e ‘Fort Washington Cadence’.

No encerramento da apresentação, o GPN promete ainda uma performance com a participação dos grupos Latatá, formado por crianças do Porto do Campim, e Círculo de Tambores, criado na UFPB para resgatar ritmos mais populares.

Depois do GPN, quem também vai mostrar um trabalho de resgate e muita criatividade é o Grupo Oitavando. Na ocasião, os compositores que no início e meado do século passado fizeram a história da música brasileira ganharão ‘voz’ nos instrumentos.

Durante a execução do repertório, o Grupo Oitavando vai fazer uma homenagem, por exemplo, ao centenário do cantor e compositor Cartola (1908-1980). Na oportunidade, segundo o saxofonista, flautista e arranjador Marcelo Vilô, será executado um pout-porri. “Faremos o medley de Cartola, com quatro músicas”, afirma, se referindo a ‘O mundo é um moinho’, ‘As rosas não falam’, ‘Alvorada’ e ‘A sorrir’.

O público também vai ouvir, com novas adaptações e arranjos, clássicos populares como ‘Brasileirinho’ (Valdir Azevedo), ‘Vassourinhas’ (Joana Batista e Matias da Rocha), ‘Bananeira’ (João Donato e Gilberto Gil), ‘João e Maria’ (Sivuca e Chico Buarque), ‘Espinha de bacalhau’ (maestro Severino Araújo), além do maxixe ‘Proezas de Solon’ (Pixinguinha), ‘Carinhoso’ (Pixinguinha), entre outras músicas. Ainda terá espaço para composições próprias do grupo como ‘Oitavando em três’ (Aleiran Rock) e ‘Suíte Manaima’ (Marcelo Vilô).

Outra atração da noite será o timbre grave das cordas do Paraibass, que vai acentuar a riqueza harmônica e melódica de conhecidas músicas nacionais e internacionais, além de executar composições próprias do quarteto. Todos os arranjos são de Sérgio Gallo, com exceção de ‘Contrabajeando’, que ficou sob a responsabilidade do maestro Carlos Anísio.

Estão no repertório do quarteto ‘Asa branca’ (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira), ‘Eleanor Rigby’ (Lenon e Paul MacCartney), ‘O trenzinho caipira’ (Heitor Villa-Lobos), ‘Contrabajeando’ (Astor Piazzola), ‘Danças polovtsianas’ (Borodin), ‘All the children’ (Stanley Jordan), ‘The wall’ (Roger Waters, do Pink Floyd), ‘Mulher rendeira’ (domínio público), ‘Chiclete com banana’ (Gordurinha e Almira Castilho) e ‘Chibanka no Paraibass’ (Hersílio Antunes, do Paraibass).

Grupo de Percussão do Nordeste – A idéia de formar o GPN surgiu em 1997, quando foi realizado na Paraíba o 2º Encontro Nordestino de Percussão. O pontapé inicial foi dos professores e percussionistas Francisco Xavier (UFPB), Germanna Cunha (Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN), Antonio Barreto (Conservatório Pernambucano de Música) e Glauco Andreza (Orquestra Sinfônica da Paraíba).

Com o passar dos anos, o grupo foi incorporando músicos e alunos oriundos da UFPB, UFRN e Conservatório Pernambucano de Música. A intenção inicial era trabalhar o repertório camerístico da percussão erudita, que é aquele executado em orquestra. Porém, em 2005, com a criação do laboratório de musica e do ‘Círculo de Tambores’, na UFPB, foi inevitável a simbiose com o popular, enriquecendo ainda mais o leque da proposta de resgate.

A orquestra é formada atualmente por 14 músicos. Os arranjos e solos do GPN passam por instrumentos eruditos e populares, rítmicos e melódicos. Entre eles está a marimba, xilofone, vibrafone, glockenspiel, campanas, tímpanos, congas, bongô, maracas, timbales, reco-reco, alfaias, zabumba, triângulos, prato, entre outros recursos de timbres e sonoridade.

Grupo Oitavando – Há dois anos e três meses, alunos e bacharéis em música da UFPB resolveram juntar os talentos e formar o que eles autodenominam, carinhosamente, de ‘uma mini banda de música’.

O objetivo do grupo é resgatar a música brasileira desde o começo século passado, em uma época de revolução de ritmos como o maxixe, samba e chorinho. Há espaço ainda para o regional, como o frevo, maracatu, coco-de-roda e tantos outros que formatam a cultura local.

Fazem parte do Oitavando os músicos Marcelo Vilô (sax alto, flauta e arranjos), Alciran Rock (tambores e arranjos), José Luís de Andrade (clarinete), Luís Carlos Júnior (saxofone tenor), Eunaen Castro (trompa), Denilson Siqueira (trompete), Davis (baixo elétrico e tuba) e Herbert (bateria).

Paraibass – O grupo de contrabaixistas foi criado em 1991. É formado pelos músicos Xisto Medeiros, Sérgio Gallo, Airton Guimarães e Hercílio Antunes, que também são membros da Orquestra Sinfônica da Paraíba. As performances do quarteto são fruto de permanentes pesquisas no universo musical brasileiro, compilando e interpretando obras folclóricas, populares e originais.