Ruartes já atendeu 285 crianças que vivem em ruas da Capital

Por - em 102

Nos quatro primeiros meses deste ano, o Programa de Abordagem de Rua à Crianças e Adolescentes (Ruartes), desenvolvido pela Prefeitura de João Pessoa (PMJP), já identificou 249 crianças e adolescentes em situação de risco nas ruas da Capital e realizou 285 atendimentos. O projeto é realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes).

“Nosso maior desafio para chegarmos até as crianças que estão na rua é a droga”, disse a coordenadora da Divisão de Acolhimento e Proteção Especial de Alta Complexidade da Sedes, Dalemir Praxedes, destacando que, na grande maioria dos casos, as abordagens são realizadas paulatinamente. “Esse é um trabalho que leva tempo, pois além de lidar com o tráfico, temos que entender os sentimentos dos meninos e meninas”, explicou.

Dos atendimentos realizados de janeiro a abril, 124 resultaram em encaminhamentos para os Conselhos Tutelares, 14 para as famílias, 18 para os serviços de saúde, 28 às oficinas de arte/lúdico-pedagógicas, e também foram realizadas 56 visitas às escolas e 45 às famílias.

Além de resgatar as crianças, o Ruartes faz o acompanhamento junto aos parentes. Estudos com os pais mostraram que a desestruturação familiar continua sendo o principal motivo que leva meninos e meninas a trocarem suas casas pelas ruas. “Muitos pais são usuários de entorpecentes e sem uma base familiar, as crianças acabam sendo vítimas de violência, abusos e drogas, optando pelas ruas”, revelou Dalemir Praxedes.

Abordagens– O coordenador do Ruartes, Mário Inácio, disse que o Programa tem como principal método de abordagem o lúdico-pedagógico, mas o primeiro passo é sempre a observação. “Muitas vezes só observamos se é frequente a presença de determinadas crianças em um ponto da cidade. Se nessa observação elas dão um sinal que não querem a aproximação respeitamos”, afirmou.

Mário Inácio também explicou que os integrantes das equipes do Programa procuram sempre conquistar as crianças e adolescentes criando uma relação de confiança. “Primeiro tentamos abrir um canal de diálogo e usamos manifestações artísticas e culturais para iniciarmos a conquista, pois dessa forma, enquanto eles estão envolvidos com as atividades das oficinas e aprendendo através das mensagens passadas pelos nossos educadores ficam afastados das drogas, violência e exploração sexual”, contou o coordenador.

Quando a criança aceita a abordagem é feito o encaminhamento para um dos Conselhos Tutelares e, dependendo do caso, ela vai para a família, para uma das unidades de retaguarda (Casa de Passagem ou Acolhida), ou ainda para os serviços de saúde. Quando ficam acolhidas em uma das unidades de retaguarda passam a participar das oficinas (Informática, pintura, dança, artesanato, reforço escolar, entre outras) oferecidas no Centro de Formação Margarida.

Ainda como parte desse atendimento às crianças ou adolescentes é feito o processo de reaproximação com a família, que também passa a ser acompanhada. Os que não têm documentos, recebem orientação para tirá-los, para poder voltar à escola. “Quando é detectado o envolvimento com drogas ou algum problema psicológico também contamos com a ajuda do Caps”, disse a assistente social Josefa Adelaide, integrante de uma das equipes do Ruartes.

Atuação – Criado em 2006 e composto por equipes com educadores sociais de rua, psicólogos, pedagogos, assistentes sociais, músicos e estudantes, o Ruates atua em quatro áreas da Capital: Terminal Rodoviário, Parque Solon de Lucena (Lagoa), Mercado Central, na orla (praias de Tambaú e Manaíra) e desenvolve um trabalho com um grupo de garotos e garotas na feira do Bairro dos Estado.

O Programa é parte de um conjunto de ações que a PMJP, através da Sedes, desenvolve na perspectiva de garantir a crianças e adolescentes em situação de rua e seus familiares, a proteção social no que diz respeito à segurança de sobrevivência, acolhida, convivência familiar e comunitária.

Com a proposta de identificar a presença de crianças e adolescentes em situação de violação de direitos, seja em relação ao trabalho infantil, abuso ou exploração sexual, as equipes de educadores e técnicos do programa realizam com este público-alvo, oficinas educativas, artísticas e culturais, como capoeira, artes e lazer, buscando resgatar a auto-estima e dignidade.

Horários – As abordagens do Ruartes acontecem sempre de segunda a sábado nos seguintes horários: na rodoviária das 9h às 13h; na Lagoa do Parque Solon de Lucena, das 14h às 18h e das 18h às 22h; na orla (Tambaú e Manaíra) das 14h às 22h, das 18h às 22h e das 22h às 02h da manhã. Aos sábados as abordagens são realizadas na orla de Tambaú e Manaíra das 7h às 12h. A sede do Ruartes fica à Rua Santos Dumont, 80, Edifício Salvador, no Centro da Capital. O telefone de contato é o 3214 – 3140.