Seminário indica comissão para montar plano de beneficiamento

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Criar uma comissão para elaborar um convênio e um projeto intitulado ‘Obra 100% beneficiada’. Essa foi a proposta indicada ao final do Seminário ‘Gestão dos Resíduos da Construção e Demolição no Estado da Paraíba’, realizado nesta sexta-feira (22), no auditório do Sindicato da Indústria da Construção Civil, em João Pessoa (Sinduscon/JP). O evento foi promovido pela Prefeitura Municipal de João Pessoa, Universidade Federal da Paraíba e Sindsuscon/JP.

A comissão ficou encarregada de montar um plano de beneficiamento e reuso dos resíduos da construção e demolição para o setor da construção civil. Dela participaram representantes da Autarquia Especial de Limpeza Urbana (Emlur), Secretaria do Meio Ambiente (Semam), UFPB, Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia da Paraíba- Crea, Caixa Econômica e Sinduscon, instituição que agrega integrantes da indústria da construção civil na Capital. A comissão deve se reunir na próxima semana.

O seminário teve como finalidade sensibilizar a classe empresarial dos construtores – os maiores produtores desses resíduos – a utilizarem Usina de Beneficiamento de Resíduos Sólidos da Construção e Demolição (Usiben), empreendimento administrado pela Autarquia Especial Municipal de Limpeza Urbana (Emlur). A Usiben fica localizada à Rua Antonieta Sátiro, S/N, Jardim Laranjeiras, no José Américo, em João Pessoa, e criada pela Lei 11 176/07, que institui o Sistema de Gestão Sustentável dos Resíduos da Construção e Demolição (RCD).

Na abertura do evento, o superintendente da Emlur, Coriolano Coutinho, falou da importância do seminário para melhorar a qualidade de vida da população e preservar o meio ambiente. Ele disse que as sobras das construções jogadas irregularmente em terrenos trazem conseqüências graves para o meio ambiente. “Esse seminário trará grandes mudanças, principalmente, com medidas efetivas no que diz respeito ao meio ambiente. A Emlur, junto com a população, tem um compromisso de mudar esse quadro e melhorar a cidade”, disse o titular da pasta.

Cerca de 130 pessoas participaram do evento, que superou as expectativas dos organizadores. Durante cinco horas, técnicos, engenheiros e pesquisadores apresentaram, para uma platéia atenta, estudos na área de Resíduos da Construção e Demolição (RCD), mostrando a necessidade de dar um destino correto para os resíduos da construção civil. Essas sobras incluem tijolos, blocos cerâmicos, solos, concretos, rochas, madeiras, forros, argamassas, gessos, telhas, vidros, tubulações plásticas, materiais elétricos, entre outros. Com o reaproveitamento dessa metralha, novos materiais podem ser fabricados a um custo bem mais baixo que o do mercado, favorecendo os pequenos construtores e aquecendo a economia local.

Para o secretário do Meio Ambiente, Simão Almeida, os resíduos da construção e demolição são instrumentos de poluição. Ele disse que a reciclagem e reutilização desses materiais são fundamentais na preservação do meio ambiente. “Esse seminário, com uma ampla parceria, é importante na medida em que une forças no sentido de se ter uma gestão organizada, coordenada, desses resíduos da construção e demolição”.

Na opinião do presidente do Sinduscon/JP, Irenaldo Quintans, o seminário superou as expectativas de público e de definições no que se refere ao gerenciamento dos resíduos da construção e demolição. “Vi esse seminário como um pacto social para o cumprimento da lei de gestão dos resíduos da construção e demolição. Entendo que só por meio da discussão, educação e conscientização, podemos fazer com que a lei seja cumprida, não pela repressão”, afirmou.

O volume de resíduos da construção e demolição produzido nas grandes e médias cidades brasileiras constitui sérios problemas de ordem ambiental, social e financeira. A deposição irregular desse material causa perigo para a população e para o meio ambiente; prejudica o sistema de drenagem urbana; provoca o assoreamento em córregos e rios, e, acima de tudo, com graves conseqüências para a saúde do homem.