Show beneficente vai angariar fundos para abertura de Banco Comunitário

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Angariar fundos para transformar o Banco Comunitário em realidade. Este é o objetivo da Noite do Rial, realizada pela Recomesso (Rede Comunitária de Economia Social Solidária) que será marcada por muito forró, reggae e brega. A festa acontecerá no Ginásio do Liceu Paraibano, no sábado, 20, a partir das 20 horas. O ingresso custa R$ 5 e quem comparecer vai contar com a presença das bandas “Os Cabras de Mateus”, “Omelete” e “Emboscada”.

O Rial é uma nova moeda que passará a circular na Capital e promete trazer benefícios e facilidades para a população. O dinheiro, no entanto, não vai beneficiar a todos os pessoenses. Apenas os moradores do Bairro São José e Comunidade Chatuba terão esse privilégio.

A idéia partiu de diálogos entre membros de algumas ong’s. Eles decidiram apostar numa iniciativa que o economista bengalês Mohamed Yunus colocou em prática há cerca de 30 anos, com o propósito de erradicar de seu país a pobreza. Iniciando as experiências com o seu próprio dinheiro, Yunus emprestava pequenas somas a famílias de artesãos e pequenos agricultores, que viviam em extrema pobreza no Bangladesh. O resultado foi a criação do Grameen Bank.

Na Paraíba, o banco se chamará Beira Rio e vai funcionar no Bairro São José, oferecendo empréstimos sem juros aos moradores. De acordo com o coordenador de Organização Institucional do Banco Beira Rio, Assis Cordeiro, ainda não foi estipulado o valor mínimo e máximo a ser disponibilizado, já que ainda falta o lastro, ou seja, uma determinada quantia em Real para dar início ao trabalho do banco. E para quem está com o nome nos órgãos de proteção ao crédito, uma boa notícia: elas serão clientes preferenciais.

“O princípio da moeda social é o mesmo do vale-transporte e do passe estudantil. À medida que a criamos, fazemos com que o dinheiro circule no próprio bairro. Todo mês criaremos grupos de produção”, disse. Estes grupos, como explicou Assis Cordeiro, farão com que as pessoas possam iniciar um pequeno negócio, o que ajudará a reduzir o número de assaltos no local, que é considerado como zona de risco.

Quem mora no Bairro São José e na comunidade Chatuba vive em situação de vulnerabilidade social, inclusive porque está entre o rio e a barreira. A presença do rio, inclusive, como contou Assis Cordeiro, serviu de inspiração para o nome da moeda. A alusão ao Real também existe, mas a homenagem principal é ao rio que corta o bairro.

Em outros locais que ganharam bancos comunitários, já existem comprovações de que a violência diminuiu, inclusive no entorno destas comunidades. Segundo Cordeiro, a violência é fruto da exclusão social e, a chegada de um banco que procura valorizar o ser humano, pode ser o ponto de partida para melhorar as condições destas pessoas e, como conseqüência, reduzir a criminalidade. “Trabalhamos na perspectiva da economia solidária, colocando o homem no centro e não o capital”, disse.

A equipe está reunindo os moradores para que eles tenham uma visão econômica e principalmente social. Será criado um Centro de Formação de Economia Solidária que servirá para manter o negócio, como também para que as pessoas entendam a filosofia que valoriza o ser humano. A ideologia capitalista, como enfatizou Assis Cordeiro, limita o homem à produção de trabalho e, com esta ação, um dos objetivos é tentar resolver o problema da geração de emprego e renda, e as questões sócio-econômicas. No Bairro São José e Comunidade Chatuba vivem cerca de 12 mil pessoas que têm como maior problema a falta de emprego.

A criação do Banco Comunitário tem o apoio ainda da Prefeitura Municipal de João Pessoa; Secretaria de Integração Universitária e Setor Produtivo da UFPB; Fórum de Responsabilidade Social da Paraíba; Igreja de São Pedro Pescador (Manaíra) e São Pedro e São Paulo (Jardim Luna); Igreja Assembléia de Deus (Bairro São José); ong MAM (Movimento de Ajuda Mútua) do Bairro São José; Movimento Ponto de Cultura (São José); Rotary Club (Manaíra); Incubis (Incubadora de Empreendimentos Solidários da UFPB); Associação Nossa Senhora Aparecida (Comunidade Chatuba).

Moeda própria em Fortaleza
– Moradores do bairro Conjunto Palmeiras, em Fortaleza, contam com uma moeda própria, o “Palma”, há cerca de 9 anos. Com ela, a população pode adquirir qualquer produto no comércio local. O dinheiro é alternativo e de uso exclusivo no Banco Palmas, uma instituição de crédito montada pela Associação dos Moradores com o apoio de algumas organizações não governamentais. É o Banco de Palmas, inclusive, que ficar responsável por cunhar a moeda, que terá até dispositivo de proteção.

Um Palma vale o equivalente a R$ 1, mesmo valor que terá o Rial. A moeda foi criada para fazer circular a riqueza do Conjunto Palmeiras e, para consegui-la, as pessoas oferecem seu trabalho ou fazem empréstimos no Banco Palmas, com juros menores que nos bancos comuns. Além disso, os bons clientes recebem, inclusive, cartão de crédito, o que facilitou até mesmo a vida dos comerciantes, que têm a certeza de receber os pagamentos em dia.