‘Som das 6’ traz Maracatu Pé de Elefante ao Ponto de Cem Réis

Por - em 23

Os batuqueiros e batuqueiras do grupo paraibano Maracatu ‘Pé de Elefante’ recebem dos integrantes do Maracatu ‘Nação Estrela Brilhante’, da cidade do Recife, o título de “Nação”. A cerimônia de batismo é inédita na Paraíba e acontece nesta sexta-feira (19), a partir das 18h, dentro do projeto ‘Som das 6’, no Ponto de Cem Réis. O evento é uma realização da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope) e foi integrado este mês à programação do ‘Novembro Negro’, realizado pela prefeitura da Capital.

A cerimônia faz alusão ao mês da consciência negra. O ‘Pé de Elefante’ é herdeiro direto das manifestações sacro-carnavalescas de rua. Elas foram implementadas pelas irmandades de negros católicos devotos de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e dos candomblés, espalhados pelos pólos de maior concentração de contingentes escravos nas cidades do Brasil. Nessas regiões, vigoraram, por muito tempo, o regime escravista da monocultura da cana-de-açúcar.

O evento difunde a cultura do maracatu de baque virado, ou de raiz afro, na Paraíba, e fortalece a expansão da cena percussiva local. A manifestação também é uma forma de dar visibilidade à luta da inserção de negros e negras na sociedade brasileira, semeando a tolerância religiosa e o respeito às religiões de matriz africana.

Pé de Elefante – O grupo foi fundado em 3 de maio de 2008, idealizado por Marcilio Alcântara e Fernando Trajano, do Centro da Juventude do bairro de Mangabeira. Há dois anos, os integrantes têm feito um trabalho tanto social quanto cultural na cidade de João Pessoa. No repertório estão estilos com influências do maracatu, afoxé e outros ritmos afro-brasileiros.

Na primeira formação, o ‘Pé de Elefante’ possuía dez componentes. O grupo recebe influencia da cena percussiva e do maracatu pernambucano. É dirigido pelos mestres Marcílio e Fernando e conta atualmente com mais de 30 pessoas. As composições autorais de cânticos e toadas falam das belezas e riquezas naturais da capital paraibana, incorporando nas letras o anseio de liberdade e igualdade social de negros, índios e outras categorias desfavorecidas pelo sistema social.

Os instrumentos de percussão são fabricados pelos próprios integrantes. As alfaias (espécie de tambores) são feitas de couro de bode e troncos de macaíba. Nas baquetas, são utilizados galhos de beriba. Já as cabaças servem para a confecção dos agbês, e o ferro forjado é usado para os ganguês.

Maracatu Estrela Brilhante – Na época em que foi fundado por ex-escravos, em 1910, o grupo só possuía os batuqueiros e as Catirinas, que representam os fundamentos do maracatu. Com o passar do tempo, foram instituídos o Rei e a Rainha, além das Damas de Passo, que carregam as bonecas Joventina e Erundina.

O fundador do Estrela Brilhante foi Cosme Damião Tavares, conhecido por Seu Cosmo. Era um negro natural de Igarassu, nascido ainda na segunda metade do século XIX. A Nação esteve sediada em três comunidades desde a sua origem. Em 1993, começou uma nova fase, na comunidade de Padre Lemos, localizada no bairro de Casa Amarela.

Depois do carnaval de 1995, o Estrela Brilhante passou a ser presidido pela atual rainha –Ialorixá Marivalda Maria dos Santos. Na época, a sede foi transferida para o Alto José do Pinho, também em Casa Amarela. O babalorixá e rei do maracatu, Jorge de Xangô, e Marivalda estarão em João pessoa para realizar a cerimônia de batismo.

O batuque contagiante do Estrela Brilhante é guiado pelo Mestre Walter, que também compõe a maioria das toadas. Esse trabalho está no primeiro CD que foi lançado em janeiro de 2002 no Recife e é o primeiro álbum de maracatu do país.