Texto coloca Maria como narradora da vida, morte e ressurreição de Jesus

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A figura de Maria, mãe do Salvador, e mais um coro de doze mulheres vão contar a história de vida, morte e ressurreição de Jesus. Este é o diferencial do texto ‘Maria canta a Paixão com Amor’, de autoria das arte-educadoras Luiza Barsi e Helena Madruga. A proposta foi escolhida no Edital de Dramaturgia para ser encenado na Paixão de Cristo 2008 de João Pessoa. Agora a Fundação de Cultura abre inscrições para os diretores de teatro interessados em apresentar suas propostas de encenação. Mais informações na sede da Funjope, na Praça Antenor Navarro, 06, no Centro Histórico da Capital.

Ao todo foram nove textos inscritos que passaram pelo crivo da comissão organizadora formada pela Professora do Curso de Artes da Universidade Federal da Paraíba, Paula Coelho; pelo dramaturgo e escritor potiguar, Racine Santos e mais o diretor de teatro do Grupo Clowns de Shakespeare, de Natal, Fernando Yamamoto.

“Entendo que este texto é o que tem uma maior conexão com a proposta de encenação de rua, para um público numeroso. Propõe uma estrutura baseada em coro/corifeu que funciona bem para espetáculos deste porte”, justificou Fernando Yamamoto.

Na avaliação de Paula Coelho, a proposta de utilização de coros (além do coro feminino há o coro de apóstolos e o de crianças) e a simplicidade com que são apresentados o eventos da Paixão constituem a potencialidade cênica do texto, que o credencia para uma montagem em praça pública. “A linguagem e a referência ao universo infantil através de folguedos e canções ampliam a potencialidade de recepção do espetáculo”, reforçou.

O texto – “Maria canta a Paixão com Amor” é um texto em verso, construído a quatro mãos, como todos os outros trabalhos realizados por Luiza Barsi e Helena Madruga. “Fomos buscar inspiração para escrevê-lo na nossa paixão pelo teatro, no nosso amor por Maria e na força Mariana que mora em cada uma de nós”, contam.

Segundo as autoras, o texto foi construído no espaço de uma semana, feito nos intervalos de suas atividades profissionais. Mas o que elas fizeram para uma tão conhecida, fantástica e milenar história ser apresentada de forma criativa, inovadora e com características nordestinas? Para alcançar este objetivo, as autoras decidiram que a Paixão de Cristo seria contada pela mãe de Jesus.

“Marias, Joanas, Anas, Beatrizes… são todas as mulheres que estão em Maria e que com sua força e garra contam e recontam suas histórias. Enaltecemos a mulher, a doçura e a fortaleza que trazemos dentro de nós e, com encanto e dança, resgatamos os folguedos, as cantigas de roda, as folias, bem como o pesar e a dor que se transformam em vida gloriosa no ato da ressurreição”, declararam as autoras.

Quem são elas
– Acreditando na Arte como transformadora do mundo, Luiza Barsi e Helena Madruga estiveram irmanadas ao longo dos últimos quinze anos, fazendo do trabalho o objeto de grande paixão em atividades com portadores de deficiência mental, física, visual e auditivo na Fundação Centro Integrado de Apoio ao Portador de Deficiência (Funad).

“Trabalhamos há mais de duas décadas com Arte, junto a pessoas especiais e é, através dela, que formamos cidadãos e mostramos um mundo novo ao portador de limitação, isto nos proporcionou uma experiência maravilhosa. Repassamos nas nossas oficinas o saborear a Arte, o plantar sementes e construir jardins”.

Quanto a esta oportunidade que a Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope) proporciona aos novos desconhecidos dramaturgos, elas afirmam que estão muito felizes e reconhecem que só assim há espaços para pessoas como elas que estão na busca de oportunidades para mostrar a sua arte e se comunicar com o público, seja por meio do drama, da alegria, das cores, dos movimentos, dos ritmos e sons.

“Esta é a primeira vez que nossos pensamentos emoldurados em ações, cantadas em verso e prosa, saem do nosso ambiente profissional e ganham novos espaços . Ousamos escrever o que tínhamos na nossa alma de artista e deu certo, concluem Helena Madruga e Luiza Barsi.