Usuários de Caps passeiam de trem no dia de luta contra os manicômios

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Mais de 300 usuários de Centros de Atenção Psicossocial (Caps) de João Pessoa, Bayeux e Santa Rita participaram na manhã desta terça-feira (13) de um passeio de trem, como parte da programação do ‘Dia Nacional de Luta Antimanicomial’ (que transcorre a 18 de maio). A atividade, intitulada na ‘Trilha da Cidadania’, foi iniciada pela manhã com a animação de um trio de forró na Estação Ferroviária, de onde pacientes, familiares e profissionais de saúde do município embarcaram no trem que passou por Bayeux e Santa Rita até a cidade de Cabedelo.

Por todo o percurso do passeio, os participantes aproveitaram as belas paisagens e se animaram ao som do triângulo, da sanfona e da zabumba do trio pé-de-serra. No vagão do trem todos eram iguais e tiveram um momento de integração até a cidade portuária, onde o grupo se juntou aos usuários do Caps daquele município para saborear um lanche e depois participar de um ato público celebrando os 20 anos de luta antimanicomial com o lema ‘Por uma sociedade sem manicômio’.

Experiências – Francisco Vieira, 43 anos, usuário do Caps Gutemberg Botelho, afirmou que esse tipo de atividade ajuda na recuperação dos pacientes e mostra que é possível pessoas com problemas mentais terem uma vida social. Ele afirmou que já viveu dois lados bem diferentes quando se internou em manicômios e nos três anos em que está sendo atendido no Caps.

“No Caps, quando um paciente apresenta qualquer alteração, são tomadas providências para evitar as crises. Isso é fruto de um trabalho cuidadoso, o convívio normal com a família e os amigos”, contou.

Francisco explicou que os resultados são bastante positivos e o principal deles é que nesse período de tratamento no Caps não precisou se internar nenhuma vez. “Desenvolvo minhas atividades normais e estou perto da família e amigos. Me sinto como um cidadão normal”, disse satisfeito.

Teresinha Ferreira, 62 anos, uma das mais antigas pacientes atendidas no Caps estava bastante animada para participar do quarto passeio de trem. Ela disse que o passeio foi muito divertido e até dançou forró. Segundo ela, esse passeio é uma demonstração de que as pessoas com transtornos podem se recuperar e ajuda a diminuir o preconceito.

De acordo com a psicóloga Sandra Lima Carvalho, diretora do Caps Gutemberg Botelho, em Tambauzinho, essa e outras atividades terapêuticas estão ajudando na ressociabilização dos pacientes com transtornos mentais. A psicóloga informou que, com a implantação desses centros e o funcionamento do Caps, as internações nos manicômios diminuíram cerca de 90% no município.

“Com esta política de atendimento podemos mostrar à sociedade que é possível tratar os pacientes com inserção social e não com o isolamento e excesso de medicamentos, característicos dos manicômios”, disse. Sandra explicou que graças à luta antimanicomial, os manicômios vêm sendo substituídos pelos Caps e Residências Terapêuticas que diminuem o sofrimento das pessoas com um tratamento mais humanizado, especializado e a participação da família.

Avanços – Nos últimos quatro anos, a Prefeitura de João Pessoa promoveu melhorias na rede de saúde mental no município com a reestruturação do Caps Gutemberg Botelho, em Tambauzinho, e a implantação dos Caps Caminhar, no Valentina Figueiredo, e Infantil Cirandar, no Róger, mais a Residência Terapêutica Feminina no Alto do Céu, em Mandacaru. Nesses locais, os usuários recebem atendimento de saúde, atividades terapêuticas e só são internados em caso de necessidade e num prazo máximo de dez dias. No município ainda existem três manicômios: o Complexo Psiquiátrico, Hospital São Pedro e Instituto Psiquiátrico da Paraíba.