Mulheres Invisibilizadas

Exposição no Complexo Hospitalar de Mangabeira reúne histórias de 30 importantes brasileiras 

02/03/2026 | 17:30 | 70

O Complexo Hospitalar de Mangabeira recebeu, nesta segunda-feira (2), a exposição ‘Mulheres Invisibilizadas’, que reúne histórias de 30 brasileiras com papel relevante na construção do país, mas cujas trajetórias foram apagadas ou pouco reconhecidas pela história oficial. São mulheres negras, indígenas, quilombolas, educadoras, lideranças políticas, artistas e ativistas que romperam barreiras e abriram caminhos em diferentes áreas, contribuindo para reflexões sobre desigualdade de gênero, memória histórica e democracia.

A mostra é organizada pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), por meio do Grupo de Trabalho Igualdade de Gênero, do Ministério Público Federal (MPF), por meio da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), em parceria com a Prefeitura de João Pessoa.

A secretária executiva de Saúde de João Pessoa, Janine Lucena, lembrou que muitas das conquistas das mulheres da atualidade se devem àquelas do passado, que se tornaram pioneiras no Brasil em suas áreas. “Se hoje, graças a Deus, a gente já conseguiu alcançar um espaço, isso se deve justamente a história dessas mulheres que viveram há 100, 200 anos, e que estão nessa exposição. O que elas fizeram nessa época é o resultado que a gente vê hoje”, observou.

Janine Lucena parabenizou o MPF pela iniciativa. “É de extrema importância e a gente fica muito feliz em abrir as portas do Complexo Hospitalar de Mangabeira, com essa parceria com o Ministério Público Federal, para um assunto que a gente deve de fato discutir. Esperamos nós que um dia não seja mais necessário que isso esteja entrando em discussão, que a mulher tenha realmente seu lugar, seu espaço e seja reconhecida por isso. É muito interessante quando a gente vê exposições para tornar visível aquele trabalho que é invisível, e como essas mulheres temos inúmeras hoje que vivem na invisibilidade”, pontuou.

A secretária acrescentou a força das mulheres para encarar as várias tarefas acumuladas no dia a dia. “Só a gente sabe o que a gente passa quando sai de casa, vem para um ambiente de trabalho e depois volta para casa para ter um outro ambiente de trabalho. Aqui mesmo, onde estamos no hospital, temos mulheres em cargos de liderança, enfermeiras, técnicas e em todos os lugares”, destacou.

MPF – A procuradora regional dos Direitos do Cidadão, Janaina Andrade, explicou que a presença da exposição no hospital reforça o papel da saúde como porta de entrada para a garantia de direitos. Ela ressaltou a importância da Lei do Minuto Seguinte (Lei nº 12.845/2013), que garante atendimento obrigatório, imediato e integral às pessoas em situação de violência sexual nos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS), independentemente de registro prévio de boletim de ocorrência.

A norma assegura, entre outros direitos, atendimento médico emergencial, apoio psicológico, realização de exames e profilaxia da gravidez e de infecções sexualmente transmissíveis. “É importante reforçar que a mulher pode procurar diretamente a unidade, sem necessidade prévia de boletim de ocorrência. Aqui ela recebe atendimento médico, acolhimento e orientação para acessar a rede de proteção”, destacou Janaina Andrade.

Para o procurador da República José Guilherme Ferraz da Costa, a iniciativa expressa a atuação do MPF para além da esfera exclusivamente jurídica. “Vejo que o Ministério Público Federal, por meio da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, exerce sua função não apenas na busca por medidas jurídicas, punitivas ou preventivas, mas também pela difusão da informação e pela educação. A exposição Mulheres Invisibilizadas é, por excelência, uma forma de educar, resgatar a história, transmitir bons exemplos e levar o cidadão à reflexão sobre as trajetórias e os papéis que essas mulheres exerceram na história do nosso país”, afirmou.

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